Prescrição Penal: o que é, como funciona e quando pode extinguir a punição
- Fernanda Izzo

- há 7 horas
- 3 min de leitura

A prescrição penal é um dos temas mais importantes do Direito Penal, e também um dos mais negligenciados por quem responde a um processo criminal.
Em termos simples, o Estado tem um prazo para punir alguém, e se esse prazo for ultrapassado, ocorre a extinção da punibilidade. Na prática, isso significa que, se a punição não for aplicada em tempo, ainda que a pessoa seja culpada, não poderá mais ser punida.
Onde a prescrição está prevista no Código Penal?
A prescrição está regulamentada nos artigos 109 a 119 do Código Penal.
🔹 Prescrição antes da sentença definitiva
O artigo 109 do Código Penal estabelece os prazos para aplicar a punição antes do trânsito em julgado da sentença (quando ainda cabe recurso). Nesse caso, o cálculo é feito com base na pena máxima prevista para o crime.
Ou seja: analisa-se a pena prevista no tipo penal e, a partir dela, verifica-se o prazo prescricional correspondente.
🔹 Prescrição depois da condenação definitiva
Após o trânsito em julgado da sentença condenatória, aplica-se o artigo 110 do Código Penal.
Aqui, o cálculo muda: a prescrição usa como base a pena efetivamente aplicada na condenação, e não mais a pena abstrata do delito. Isso pode alterar significativamente o prazo.
A contagem da prescrição pode parar ou recomeçar?
Sim. E esse é um ponto técnico extremamente relevante.
A contagem da prescrição não é contínua e automática. Existem situações que:
🔸 Interrompem o prazo (art. 117 do Código Penal) → o prazo zera e começa a contar novamente.
🔸 Suspendem o prazo (art. 116 do Código Penal) → o tempo fica “congelado” até que a causa cesse, e depois, o prazo continua a ser contado de onde parou.
Por isso, o cálculo da prescrição exige análise detalhada do processo.
A prescrição pode ser reduzida ou aumentada?
Sim. O artigo 115 do Código Penal determina que o prazo prescricional será reduzido pela metade quando:
o acusado tinha menos de 21 anos na data do fato; ou
possui mais de 70 anos na data da sentença.
Por outro lado, após o trânsito em julgado, o prazo pode ser aumentado em 1/3 em caso de reincidência, conforme o artigo 110 do Código Penal.
O que acontece quando a prescrição é reconhecida?
Se for constatado que o prazo prescricional foi ultrapassado, deve ser declarada a extinção da punibilidade.
Isso significa:
encerramento do processo ou da execução penal;
impossibilidade de aplicação ou continuidade da pena;
eventual colocação imediata em liberdade, se a pessoa estiver presa apenas por aquele processo.
O juiz reconhece a prescrição automaticamente?
Nem sempre.
Embora possa ser reconhecida de ofício, na prática isso não é garantido.
Por isso, é fundamental que um advogado criminalista analise o processo, realize o cálculo detalhado da prescrição e, se for o caso, formule o pedido formal ao juiz.
Conclusão
A prescrição penal não é “benefício” nem “brecha”: é uma garantia prevista em lei que limita o poder de punir do Estado.
Saber se há prescrição no seu caso exige análise técnica e cálculo preciso dos prazos legais.
Se existe processo em andamento ou condenação definitiva, a revisão do prazo prescricional pode ser decisiva.
A Importância da Análise Técnica na Execução da Pena
Cada caso possui particularidades que podem impactar diretamente o tempo de cumprimento da pena e a possibilidade de benefícios legais.
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